Bem-Vindo ao Aloha Terapias

Bem-Vindo ao Aloha Terapias
Nossa proposta é mudar os conceitos tradicionais sobre saúde e doença. Pretendemos divulgar técnicas e ações para promover a cura individual e planetária. Não podemos mais pensar que somos vítimas das doenças. Somos agentes transformadores de tudo que nos cerca e principalmente de nós mesmos.

.
Quando guardamos nossos sentimentos, aprisionamos o fluxo de energia vital que passa pelo nosso corpo. A energia desses sentimentos não expressados e não assumidos fica bloqueada, produzindo um mal-estar físico e emocional gerando futuras doenças. A Doença é uma mensagem do nosso corpo, que nos diz que em alguma parte não estamos seguindo nossa verdadeira essência ou apoiando nossos desejos mais íntimos. Quanto mais optarmos pela Luz, mais saudáveis e mais cheios de vida se tornarão nossos corpos.
Mostrando postagens com marcador Educação Ambiental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação Ambiental. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pare de reciclar! Comece a consertar!




 O título deste post, deliciosamente polêmico, encerra o "manifesto pelo
conserto", ou "Repair Manifesto", um movimento criado ontem pelos holandeses
da Platform21. Veja o manifesto inteiro:

1. Faça seus produtos durarem mais!
Consertar significa a oportunidade de dar a um produto uma segunda vida.
Consertar não é anticonsumo: é antidesperdício.
2. As coisas têm que ser projetadas para poderem ser consertadas
Designer de produtos: faça coisas consertáveis. Forneça informações claras sobre
como consertar. Consumidor: compre coisas que você sabe que podem ser
consertadas, ou descubra por que elas não existem. Seja crítico, faça perguntas.
3. Consertar não é substituir uma peça
Não estamos falando em jogar fora a parte que está quebrada, mas de realmente
remendar criativamente.
4. O que não mata engorda
Toda vez que você conserta algo você acrescenta ao seu potencial, à sua
história, à sua alma e à sua beleza inerente.
5. Consertar é um desafio criativo
Fazer reparos é bom para a imaginação e ensina a usar novas técnicas,
ferramentas e materiais.
6. Conserto não sai de moda
Não se conserta para deixar os produtos na moda. Não há datas de validade para
produtos que podem ser reparados.
7. Consertar é descobrir
Ao consertar você descobre coisas incríveis sobre como os objetos funcionam. Ou
não funcionam.
8. Conserte – mesmo quando a crise acabar
Se você acha que este manifesto tem a ver com a recessão, esqueça. Não estamos
falando de dinheiro, mas de mentalidade.
9. Coisas consertadas são únicas
Mesmo falsificações se tornam originais quando você as conserta.
10. Consertar é ser independente
Não seja um escravo da tecnologia – seja seu mestre.
11. Você pode consertar tudo, mesmo um saco plástico
Mas nós recomendamos arrumar uma sacola que dure mais. E, quando ela estragar,
consertá-la.
Pare de reciclar! Comece a consertar!
#Por Denis Russo Burgierman

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Existe lixo?

'Não existe lixo. Tudo é nutriente’. Entrevista especial com Jacques Saldanha
 
“Nossos ‘lixos’ nos aproximam do comportamento ‘humano e sanitarista’ da matriz desta visão do mundo eurocêntrica”, ressalta Jacques Saldanha durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line. Ao entender o marco regulatório acerca do tratamento do lixo urbano, Saldanha explica que, para ele, lixo é algo que não existe. “Tudo o que não serve, sobra ou é excretado por uma espécie será, de alguma forma, o nutriente e a fonte de sobrevivência de outra”, explica. Para ele, “tanto o plástico quanto o Bisfenol A são ícones deste momento de nossa história planetária que nos abre, por sua crise socioambiental, oportunidades de nos tornarmos alfabetizados ecológicos”.

Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, realizada no início de agosto, o país passa a ter um marco regulatório na área de resíduos sólidos. A lei deixa clara a diferença entre o que é resíduo e que é rejeito e reúne princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão dos resíduos sólidos. O projeto responsabiliza ainda as próprias empresas pelo recolhimento de produtos descartáveis e estabelece a integração de municípios na gestão dos resíduos. Além disso, segundo esta lei, toda a sociedade é responsável pela geração de lixo.

Luiz Jacques Saldanha, que concedeu a entrevista a seguir por email, é engenheiro agrônomo e ambientalista.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor analisa esse marco regulatório para o tratamento de lixo urbano no país aprovado recentemente?

Luiz Saldanha – Sem dúvida que toda a situação em que encaramos e esclarecemos o que vinha sendo levado, há décadas, de forma turva e confusa, é um passo importantíssimo. A partir daí, temos instrumentos para sabermos como enfrentaremos esta dramática vergonha que a sociedade ocidental gerou e ampliou para todos os rincões deste planeta. Parece mentira que se precisou mais de 20 anos para que esta vergonha seja não só reconhecida como, pela primeira vez, assumida.

No entanto, mesmo com este passo, a essência de ser uma vergonha continua. Isso porque ainda estamos agindo como analfabetos ecológicos. Analfabetos porque ainda não nos demos conta de todo este manancial de matérias-prima que produzimos e, ao invés de chamá-lo por seu verdadeiro nome, insistimos em denominá-lo como “resíduos”. O ecologista fundamental de nosso tempo, o gaúcho José Lutzenberg [1], dizia que muitas vezes aquilo que chamamos de poluição é uma coisa certa no lugar errado. E aqui está, no meu ponto de vista, uma coisa certa sendo conceituada de forma errada.

Não existe lixo
Na verdade, portanto, não existe lixo. O que existe é ignorância, desconhecimento, negligência e equívoco
Fritjof Capra
 Fritjof Capra
civilizatório. Na natureza, como nos lembra o físico e ecologista austro-norteamericano Fritjof Capra [2], não existe resíduo. Tudo o que não serve, sobra ou é excretado por uma espécie será, de alguma forma, o nutriente e a fonte de sobrevivência de outra. Ou seja, considerarmos o que nos sobra, o que excretamos ou o que não nos serve como um lixo e isso demonstra um grande desconhecimento do ambiente planetário ao qual estamos irremediavelmente ligados e visceralmente vinculados. A não ser que o que geramos como resíduo seja antinatural, artificial e/ou insalubre. Aí sim, o ciclo da vida poderá ser contaminado, intoxicado e/ou violentado.

Mas, como ainda decidimos fazer parte desta visão de mundo ocidental, dar “nomes aos bois” nesta área de nossos “dejetos”, nossos “lixos” nos aproximam do comportamento “humano e sanitarista” da matriz desta visão do mundo eurocêntrica. Mundo que não só reverenciamos, mas também queremos imitar. Chegando até a perdoar algum “pequeno engano” como a recente exportação de containeres de lixo pela Alemanha, como vimos há poucos dias atrás no porto de Rio Grande. Assim, criar formas legais de impedir que “joguemos” tudo fora, indiscriminadamente, como viemos fazendo, sejamos entes públicos, indústrias ou consumidor comum, em nossos ambientes mais sagrados, como áreas de banhado, mangues, várzeas, pedreiras e espaços últimos de vegetação nativa... já nos coloca muito próximos do mundo limpo e saneado, como faz a Europa anglo-saxônica, por exemplo. Mesmo que ainda seja no papel e virtualmente.

Próximos passos Quero destacar um avanço que considero ambientalmente importantíssimo e avançado. A inclusão do aspecto da “não geração”. Ou seja, agora nos apropriaremos desta alternativa até para discutirmos se a produção de alguma coisa pode ou não ser feita. E até mais: poderemos começar a exigir conhecermos todos os componentes de quais produtos estão no mercado atualmente.

Um caso extremamente ruidoso hoje é o uso indiscriminado de aditivos que as indústrias vêm colocando, há anos, indiscriminadamente, nas resinas plásticas com nosso total desconhecimento. E é sabido, cientificamente, que eles estão levando à extinção de todos os machos no planeta, por serem disruptores hormonais. O caso mais contundente é a substância química artificial chamada Bisfenol A [3]. Agora chegou o tempo de levantarmos esta possibilidade de sua “não geração”. Podemos repetir o que países do hemisfério norte estão fazendo: Proibirem legalmente, por exemplo, seu emprego em mamadeiras infantis e embalagens de alimentos, destacadamente infantis, como o Canadá e vários estados e cidades norte-americanas estão fazendo. Estão seguindo um princípio que esta norma brasileira contempla: o princípio da precaução. Estão, minimamente, protegendo a saúde de todas as gerações, tanto de seres humanos como de animais, já que estas moléculas permanecem não só nos produtos, mas no ciclo da vida e vão se acumulando indefinidamente na cadeia alimentar. Outro aspecto que quero destacar é a confirmação da responsabilidade sobre os “resíduos” de todos os partícipes em todas as fases de vida de quaisquer produtos, incluindo os agrotóxicos.

IHU On-Line – Que impacto a nova lei de tratamento de lixo pode ter sobre os catadores?

Luiz Saldanha – Penso que total. Primeiro porque são reconhecidos como tais. Eles terem sido citados como
Lutzenberger
 José Antônio Lutzenberger
parte integrante no processo de “tratamento dos resíduos” é fundamental. Não sei se alguma legislação de outros países integra a figura do catador de lixo como uma solução “tecnológica” que se considera social, ambiental e sanitariamente indispensável para o correto tratamento dos resíduos urbanos.

Vale lembrar que em 1990, quando nós, um grupo de técnicos ligados à limpeza urbana e ambientalistas, fizemos um seminário em Porto Alegre, no Instituto Goethe, que denominamos de Lixo, um instrumento de resgate social, fomos olhados com desdém e com certo desprezo por muitos tecnocratas da área do saneamento. Como foi com esta norma, estes ecologistas na prática, mesmo que inconscientes, também precisaram de vinte anos para serem reconhecidos social, técnica e legalmente. E a nível nacional! Lutzenberger sempre dizia que os catadores estavam fazendo mais pela ecologia do que, muitas vezes, o próprio ministro do meio ambiente.

IHU On-Line – Como o senhor vê a questão das cooperativas que devem gerir os resíduos sólidos, como sugere a nova lei?

Luiz Saldanha – Aqui vem um tema bem complexo, mas muito interessante, social e tecnicamente falando. Porque, além de expandir para a definitiva inclusão dos catadores como uma das formas corretas de destino final dos resíduos, ainda se avança para o conceito de ligar esta tecnologia ao coletivo, ao cooperativismo. Ou seja, é chancelada legal e nacionalmente no ciclo de nossa sociedade estes elos que desnudam o nosso analfabetismo ecológico, só que agora em um outro plano. É admitida, efetivamente, sua existência que era somente de fato e, para muitos de nós, somente suportável.

Pelo menos no papel (e na postura dos que elaboraram esta norma), estes elos perdidos e escamoteáveis passam a ser reinseridos no ciclo da vida social, não mais como dois grandes rejeitos de nossa sociedade ocidental, como “lixo” e “lixeiro”. A partir desta norma, os primeiros passam a serem vistos como matérias-primas e os outros, até então excluídos por se imiscuírem em nossas “sujeiras”, como partícipes essenciais da reciclagem dos resíduos urbanos. E isso é muito belo. E mais belo porque os dois desrespeitados e desorganizados pela negligência de nossa arrogância e pelo nosso desamor, agora são dignos de serem recebidos com tapete vermelho pelos espaços empresariais e palacianos porque já não mais viverão nos fundos de nossas casas desqualificados e misturados uns com os outros. E virão em grupos organizados e, por isso, politicamente fortes, perfeitamente visíveis e socialmente acolhidos.     

IHU On-Line – Quais são os principais ganhos ambientais proporcionados pela reciclagem?

Luiz Saldanha – Antes da reciclagem, devemos considerar que esta norma nos abriu um outro fato importantíssimo que citei anteriormente: a “não geração”. Isso nos remeterá a um dos “R’s” fundamentais já que saímos dos clássicos: reduzir, reutilizar e reciclar. Passamos a ter o direito definitivo de rejeitar. O que é muito mais intenso do que o provisório recusar.

Daqui para frente, teremos condições de encaminhar para reciclagem aquilo que, desde sua fabricação, já estiver presumido o princípio da reciclagem. Deixaremos de encaminhar quaisquer coisas que, por desconhecimento, poderão estar representando um perigo para os nossos parceiros sociais da reciclagem, os catadores. Teremos, como sociedade, condições de exigir mais honestidade e transparência dos fabricantes que hoje colocam no mercado produtos sobre os quais não temos nenhum acesso sobre sua verdadeira composição. E digo isso respaldado no que a ciência está demonstrando do que têm sido os aditivos e plastificantes, por exemplo, que estão escondidos e camuflados dentro de nomenclaturas onde não constam todos os seus componentes.

Este, para mim, passa a ser o princípio da reciclagem: a colocação no mercado de produtos que sejam feitos com esta perspectiva. Serem ambientalmente recicláveis e, principalmente, saudáveis para serem manuseados pelos catadores organizados em estruturas sociais como as cooperativas.

IHU On-Line – Há quase 18 anos o Congresso Nacional discute diferentes projetos de lei sobre o tratamento de lixo urbano e não consegue avançar. O que impedia isso?

Luiz Saldanha – Pelo que expus anteriormente, podemos perceber que existia um imenso vazio no que chamei de analfabetismo ecológico. Desconhecíamos ainda, como sociedade, que os nossos “lixos”, fossem humanos ou materiais, como grandes riquezas de nossa sociedade.

Friso que só a existência desta abertura legal não quer dizer que represente a mudança de percepção de nossa cultura socioambiental. Há um longo caminho a se percorrer para se transmutar este conceito de lixo humano e material. Mas esta norma mostra, depois de tantos anos, que uma mudança já ocorreu. E é esta mudança que devemos valorizar, privilegiar e elogiar. Um passo foi dado. E devemos cuidar e acalentar para que esse passo seja o patamar de outros de transformação na busca de nos alfabetizarmos social e ambientalmente.      

IHU On-Line – A lei vai mudar também o tratamento que se dá aos plásticos? De que forma?

Luiz Saldanha – Pode-se perceber que tanto o plástico quanto o Bisfenol A são ícones deste momento de nossa história planetária que nos abre, por sua crise socioambiental, oportunidades de nos tornarmos alfabetizados ecológicos. Ícones que devem ser usados como fundamentos para as mudanças que são muito mais amplas. Elas envolvem nossa compreensão de que existem muitos interesses, tanto econômicos como sociais – e mesmo culturais –, para que fique tudo como está. Este é o desafio maior, em meu entendimento, das organizações que lidam com o ensino, com todas as formas de educação, com os direitos humanos e mesmo com a moral, a ética e a espiritualidade.

IHU On-Line – Apenas 13% dos municípios brasileiros tem aterros sanitários. Qual a situação desses aterros? Onde as demais cidades (87%) depositam seus lixos?

Luiz Saldanha – Assim como não deve existir “lixo”, da mesma forma também não deve existir “jogar-se fora” quaisquer materiais que deverão sempre retornar ao ciclo da vida. No meu entendimento, aceitar que possam existir locais para se colocar quaisquer coisas que devem ser “tratadas” de forma “sanitária”, nos remete novamente para os equívocos civilizatórios do analfabetismo ecológico.

Repito: se algo não pode ser reabsorvido pelos processos naturais da vida, este algo deve ser definitivamente banido. Devem ser efetivamente eliminadas tanto sua produção como sua fabricação. Deveremos todos ter a humildade de saber que, em nossa arrogância civilizatória, estamos errando. Bem como ter a tranquilidade de reconhecermos que estamos encarnados num planeta onde a Vida é a grande mestra e é ela que nos mostra o limite de nossa pretensão. Assim, falar em aterro, seja sanitário ou não, é somente mais um eufemismo do status quo.

IHU On-Line – Em Porto Alegre, há a lei que visa retirar os carroceiros das ruas. Como o senhor vê essa questão?

Luiz Saldanha – Esta é uma questão que considero muito delicada. Reconheço que há uma convivência
foto: Bruno Alencastro
 Carroceiros da vila do Chocolatão, 
 em Porto Alegre

muitas vezes bem difícil no trato dos cavalos pelos carroceiros. No entanto, vejo que, se não tivermos uma percepção mais ampla, não conseguiremos reconhecer o óbvio de que o uso dos cavalos pelos carroceiros é somente porque não dispõem de recursos para terem uma Kombi, um caminhãozinho ou outro meio de coletarem o lixo. Assim, acho que nós, de Porto Alegre, parecemos estar sendo ecologicamente corretos com os cavalos, mas socialmente injustos com carroceiros. E me pergunto: será que as pessoas não se dão conta que este grupo de pessoas não teve outra alternativa de sobrevivência do que viver de “nossas sobras”? E será que a partir desta lei, aparecerão alternativas que foram inexistentes até agora?

Acho que não fomos muito fraternos com esta parcela da sociedade, ao não percebemos que optaram por esta via para não buscarem sua sobrevivência por outras vias, como a criminalidade ou pelo comércio da droga. Ao viverem compulsoriamente do lixo, trocaram outras “facilidades” pela dureza da vida de carroceiro. O que nos resta agora é vermos como nossa cidade vai enfrentar caminhos de sobrevivência deste grupo social.    

Notas: [1] José Antônio Lutzenberger foi um agrônomo e ecologista brasileiro que participou ativamente na luta pela conservação e preservação ambiental. Foi secretário-especial do Meio Ambiente da Presidência da República de 1990 a 1992. A  revista IHU On-Line dedicou a edição no. 18 a ele.

[2] Fritjof Capra é um físico teórico e escritor que desenvolve trabalho na promoção da educação ecológica.

[3] Bisfenol A ou BPA é um difenol, utilizado na produção do policarbonato de Bisfenol A, o policarbonato mais comum, e de outros plásticos. A susbtância é proibida em países como Canadá, Dinamarca e Costa Rica, bem como em alguns estados norte-americanos; mas no Brasil ela é utilizada na produção de garrafas plásticas, mamadeiras e copos para bebês e produtos de plástico variados. Em 30-06-2009, Saldanha concedeu uma entrevista à IHU On-Line sobre o tema.

Para ler mais:

domingo, 24 de outubro de 2010

“O que é preciso engolir”

Entrevista com Gustavo Duch, autor do livro “O que é preciso engolir”, que denuncia os disparates da política e da alimentação
“Os alimentos são uma mercadoria com a qual alguns poucos lucram”

Nicolas Artusi

Clarín

Homer Simpson contra Popeye: na batalha dos desenhos animados, se o chefe de família lutasse contra o marinheiro nômade, também se enfrentariam dois modelos de alimentação. É a batalha da beladona contra o espinafre. Nos tempos modernos, come-se mal, muito e caro. Então, estamos diante de um apocalipse alimentar?

São necessários 7 litros de petróleo para obter um quilo de carne de vaca e 3 mil litros de água para obter um quilo de frango. “Nós, os carnívoros, devemos ter em conta que, se não moderarmos nosso consumo, nos transformaremos em parte de uma máquina perversa”, alerta Gustavo Duch desde Barcelona. Ele é um veterinário espanhol que acaba de publicar  o livro “Lo que hay que tragar: Minienciclopedia de política y alimentación” (O que é preciso engolir: Minienciclopédia de Política e Alimentação), uma denúncia contra os disparates alimentares: a cada 24 horas, 3500 porcos viajam de vários países da Europa para a Espanha e, nesse mesmo dias, outros 3000 fazem o caminho inverso. No lago Vitória, na África, as multinacionais extraem diariamente milhões de peixes para consumo no Primeiro Mundo, enquanto que milhões de moradores africanos nas imediações do lago morrem de fome. Os quilômetros que percorrem muitos dos alimentos que consumimos encerram absurdos como esse. E se é certo que, para preparar ovos fritos com lingüiça a galinha colabora, mas o porco fica comprometido, a parábola ilustra a diferença entre o interesse e a luta: Gustavo se propõe a lutar como um Robin Hood da comida e defende o direito à refeição de pobres e jovens, também lutando para que os países consigam uma “soberania alimentar”.

Qual você considera a maior aberração na alimentação multinacional moderna?

É isso mesmo que você diz, que seja multinacional em um mapa-mundi sem controle, onde os alimentos são uma mercadoria com a qual lucram poucos.

Comidas rápidas, gorduras, álcool: Qual é a ameaça para uma boa alimentação juvenil?    

É a alimentação “SEM”. Ou seja, sem informações do que se esconde por trás de muitas coisas que comemos; sem contato com as mãos que produzem alimentos sãos, de qualidade e com respeito com o meio ambiente;e sem valor, por que não é valorizado o ato em si de comermos e nutrirnos; Se a alimentação “SEM” continuar se espalhando, a maior ameaça será ficarmos sem alimentação.

Porque você escolheu Homer Simpson e Popeye como símbolos?

Homer é como um lobo que se alimenta mal à base de carne. Popeye promove um maior consumo de vegetais em nossa dieta. O excesso de carne é um mau aproveitamento de muitos hectares férteis. É um desperdício de energia e de água, e da mesma forma que temos desorganizado o mundo, é também  uma viagem de proteínas do Sul para o Norte, justamente quando o Norte está tão obeso quanto Homer Simpson.

Por que você diz que o capitalismo nos matará de fome?

Por que ele já está fazendo isso! Fundos de investimento, capitais de risco e outras fórmulas especulam e jogam com a alimentação. Fazem os preços da comida subir e baixar como em uma montanha russa, compram as melhores terras férteis, compactuam com as multinacionais e aumentam a pobreza entre a classe campesina, a mais empobrecida e, paradoxalmente, mais privada de alimentos.

A Argentina produz 1,5% dos alimentos mundiais e tem 0,5% da população do planeta. Como pode haver desnutrição no país?

A poesia explica tudo. Depois de tantas histórias de dominação das metrópoles européias e oligarquias autóctones, “las penas son de nosotros, las vaquitas son ajenas” (as penas são nossas, as vaquinhas são alheias) *, chegou a submissão aos mercados, também europeus. Um país que entrega metade de suas terras a negociantes da exportação é um país que entrega metade sua soberania alimentar. Os números não mentem: 50% de soja, 50% de pobreza. Líamos na Espanha as respostas da Presidente diante do aumento da carne na Argentina: “Comam mais peixe”. É uma falta de soberania transferir aos consumidores a responsabilidade de uma situação que corresponde a uma estratégia agrária muito má: a soja alheia não deixa lugar para as vaquinhas próprias. Uma pena.

(*) N. do T. Verso de música de Atahualpa Yupanqui

Fonte: http://loquehayquetragar.wordpress.com/2010/10/01/el-que-no-se-come-ninguna

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Água Engarrafada



Abaixo toda a legenda do vídeo

Essa é a história sobre um mundo obsecado com coisas. É a história sobre um sistema em crise..Nós estamos destruindo o planeta. E nem sequer estamos nos divertindo. Acoisa boa é que quando começamos a entender o sistema começamos a ver muitos lugares para intervir e tornar esses problemas em soluções.

Um dos problemas em tentar usar menos coisas é que algumas vezes sentimos que realmente precisamos delas.
O que acontece se você viver em uma cidade como Cleveland e quiser um copo de água? Será que você vai se arriscar e pegar  água diretamente da torneira que vem da rede municipal? Ou você vai pegar uma garrafa de água que vem das florestas intocadas de Fiji?
Bem a marca de água Fiji pensou que a resposta a esta pergunta era obvia. Então eles construíram toda uma campanha ao redor dela. Acabou sendo uma das jogadas de marketing mais burras  em toda a história da propaganda.
Veja que a cidade de Cleveland  não gostou de ser alvo de piada de Fiji, então eles fizeram alguns testes e adivinhe? Estes testes mostraram que um copo de água de Fiji é de qualidade inferior, ela perde em testes de degustação contra a água das torneiras  de Cleveland e custa milhares de vezes mais.
Esta história típica acontece quando você testa a água engarrafada com águas de torneira.
Ela é mais limpa? As vezes sim as vezes não. Em muitos aspectos, a água engarrafada é menos regulamentada que a água de torneira.  Ela é mais saborosa?  Em testes de degustação feitos em todo o país, as pesoas escolheram a água de torneira do que a água engarrafada.
Estas companhias de águas engarrafadas dizem que estão apenas satisfazendo a demanda dos consumidores. Mas quem demandaria uma água  menos sustentável, menos saborosa, um produto mais caro, especialmente aquela água que você pode pegar quase de graça na sua cozinha?
Água engarrafada custa cerca de 2.000 vezes mais do que a água de torneira. Você pode imaginar pagando 2.000 vezes o preço de qualquer outra coisa? Que tal um sanduíche de R$ 10.000,00?
No entanto, os norte-americanos compram mais que meio bilhão de garrafas engarrafadas toda semana.
Isso é suficiente para dar mais de 5 voltas ao mundo. Como isso aconteceu?
Bem, tudo isso retorna à forma de como funciona nossa economia de matérias.
E um dos principais estimuladores é a nossa conhecida demanda manufaturada.
Se as companhias querem manter o crescimento , elas precisam continuar vendendo cada vez mais coisas.
Nos anos 70, as grandes companhias de refrigerantes ficaram preocupadas quando suas projeções de crescimento se estabilizaram.  Há um limite à quantidade de refrigerante que uma pessoa consegue tomar.
Além disso,  não demoraria para que as pessoas começassem a perceber que o refrigerante não é saudável e voltariam a beber água de torneira.
Bem, a próxima grande idéia das companhias foi um produto que a maioria das pessoas desprezou coisa da geração fugaz e consumista.  A água é gratuita, as pessoas diziam naquela época, o que eles vão nos vender depois, o ar? Então como fazer para induzir as pessoas a consumirem este produto que está na margem?
É simples: você fabrica a demanda. Como você faz isso?
Bem, imagine que você está no comando de uma companhia de água engarrafada. Dificilmente as pessoas vão fazer fila para gastar o dinheiro ganho com muito suor para comprar seu produto desnecessário, então você faz com que elas se sintam apavoradas e inseguras caso não tenham seu produto. E isso é exatamente o que a indústria da água engarrafada fez. Uma das suas primeiras táticas de marketing foi assustar as pessoas sobre a água da torneira, como nos anúncios da campanha de Fiji Cleveland.
“Quando nosso trabalho for concluído”, disse um alto executivo de uma companhia de água, “a água da torneira será utilizada somente para tomar banho e lavar louça”.
Em seguida, você esconde a realidade de seu produto por trás de imagens de pura fantasia.
Você já notou como a água engarrafada tenta seduzir-nos com fotos de rios e nascentes da natureza intocada?
Mas adivinhe de onde realmente vem um terço de toda a água engarrafada dos EUA?
Da torneira!
A Aquafina Pepsi e a Dasani Coca-Cola são duas entre muitas marcas que na verdade é água filtrada da torneira.
Mas a mentira da natureza intocada é muito mais profunda. Em um recente anúncio de uma página completa, a Nestlé disse:
“ A água engarrafada é o produto de consumo mais ambientalmente responsável no mundo.”
O quê?  Eles estão destruindo o meio ambiente ao longo de cada etapa do ciclo de vida do produto. Exatamente como é que isso é ambientalmente responsável?
Os problemas começam com a extração e produção sendo que o petróleo é usado para fabricar as garrafas de água. A cada ano a fabricação de garrafas plásticas utilizadas para água engarrafada nos EUA, requer uma quantidade de petróleo e energia suficiente para abastecer um milhão de carros. Toda essa energia é gasta para deixar a garrafa mais resistente para que nós possamos transportá-la ao redor do planeta para depois a água ser consumida em 2 minutos.
Agora chegamos ao outro grande problema no outro extremo do ciclo de vida do produto: O descarte.
O que acontece com todas as garrafas que descartamos? 80% acabam em aterros sanitários, onde vão permanecer por milhares de anos, ou em incineradores, onde serão incinerada, liberando uma poluição tóxica.
O restante é colocado para reciclagem. Eu fiquei curiosa para saber para onde vão todas as garrafas plásticas que eu coloco no lixo reciclável. Eu fiquei sabendo que navios cheios de garrafas estavam sendo enviados para India.
Então eu fui lá. Nunca vou me esquecer, subindo um morro nos arredores de Madras quando eu me deparei com uma montanha de garrafas plásticas da Califórnia. A reciclagem de verdade transformaria essas garrafas em garrafa novamente.  Mas isso não era o caso aqui. Em vez disso essas garrafas foram destinadas a serem transformadas em produtos de baixa qualidade, que mais tarde seriam descartadas. As partes que não poderiam ser transformadas em produtos inferiores eram jogadas fora; em fim, transportadas até a Índia para serem jogadas no quintal do outro.
Se as companhias de água engarrafada querem usar montanhas em seus rótulos, seria mais coerente mostrar uma daquelas montanhas de plástico descartado.
Nos assustando, nos seduzindo e nos enganando...todas essas estratégias são a chave para manufaturar a demanda. Uma vez que a demanda é manufaturada e o mercado multibilionário é criado, eles defendem o mercado destruindo a concorrência. Mas neste caso, a concorrência é nossa necessidade básicaà água potável limpa e segura.
O Vice-diretor  da Pepsi declarou publicamente que: “o nosso maior inimigo é a água da torneira!”
Eles querem que acreditemos que ela é suja e que a água engarrafada é a melhor solução. Em muitos lugares, a água é poluída graças indústria poluidoras como a indústria de garrafas de  plástico. E esses caras tem a maior satisfação em nos oferecer sua solução que custa caro e nos mantém dependentes de seu produto.
Está na hora de resgatar a água que vem da torneira.
Isso começa com um compromisso pessoal de não comprar ou beber água engarrafada a nãoser que a água em sua comunidade seja verdadeiramente insalubre. Sim, exigirá um pouco de planejamento pegar uma garrafa reutilizável antes de sair de casa, mas eu acho que temos condições de fazer isso. Depois siga o próximo passo: aderir uma campanha que esteja trabalhando para soluções reais. Como demandando investimentos para que a água da torneira seja limpa para todos.
Nos EUA , a água da torneira recebe um déficit de $ 24 bilhões de dólares, em parte porque as pessoas acreditam que a água potável somente vem de uma garrafa!
Em todo mundo, um bilhão de pessoas não tem acesso à água limpa agora. Enquanto isso, cidades em todo o mundo estão gastando milhões de dólares para lidar com todas as garrafas plásticas que descartamos. E como seria se nós gastássemos este dinheiro melhorando nosso sistema de água,  ou melhor ainda, prevenindo a poluição antes detudo? Existe muito mais que nós podemos fazer para resolver este problema. Fazer um lobby com os representantes da sua cidade para trazer os bebedouros de volta. Trabalhe para banir a compra de água engarrafada por sua escola, organização ou cidade inteira. Essa é uma oportunidade imensa para milhões de pessoas acordarem e protegerem nossos bolsos, nossa saúde e nosso planeta.
 A boa notícia é que isso já começou. As vendas de água engarrafada começaram a cair enquanto os negócios de garrafas de água reutilizáveis e seguros estão crescendo rapidamente. Legal!!! Muitos restaurantes estão servindo água da torneira com muito orgulho e as pessoas estão embolsando as centenas ou milhares de dólares que seriam gastos comprando água engarrafada. Consumir água engarrafada está ficando tão chique quanto uma mulher grávida fumando. Agora estamos mais informados. A indústria de água engarrafada está começando a ficar preocupada porque seus dias estão contados. Acabou a época que nós compramos a idéia de sua demanda manufaturada. Nós escolhemos nossas próprias demandas, muito obrigado e nós estamos demandando água limpa e segura para todos